A Amazon Web Services admitiu que não conseguiu recuperar parte dos dados e recursos armazenados em seus data centers atingidos durante a guerra entre Irã e países do Golfo. A confirmação envolve uma zona de disponibilidade nos Emirados Árabes Unidos e as três zonas que formavam a região de nuvem do Bahrein.
Em uma atualização publicada em 15 de setembro de 2026, a AWS informou ter esgotado as alternativas para restaurar o acesso aos recursos que permaneciam nas instalações danificadas. Isso torna definitiva a perda de informações que estavam somente nesses locais e não possuíam cópias utilizáveis em outra zona ou região.
A empresa não revelou quantos clientes foram afetados nem o volume de dados que deixou de ser recuperável. Também não identificou publicamente quais serviços e organizações mantinham recursos exclusivamente nas estruturas destruídas.
Ataques alcançaram instalações diferentes
Os primeiros ataques com drones atingiram data centers da AWS no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos em 1º de março. Um novo ataque ocorrido em abril danificou outra zona no Bahrein, seguido por uma terceira ocorrência em 24 de julho contra a estrutura restante no país.
Nos Emirados Árabes Unidos, uma das três zonas de disponibilidade da região continua inacessível. A AWS afirma que trabalha para substituir ou reconstruir os sistemas afetados, enquanto as outras duas zonas permanecem operacionais.
A situação no Bahrein é mais grave. Os ataques comprometeram instalações distribuídas entre as três zonas que compunham a região, superando o tipo de falha simultânea para o qual os serviços locais e as configurações de múltiplas zonas haviam sido projetados.
Segundo a Amazon, a maior parte dos clientes transferiu seus recursos depois dos alertas emitidos anteriormente. Uma parcela das informações e máquinas virtuais que continuava nas instalações, entretanto, não pôde ser restaurada.
A empresa suspendeu a cobrança pelos recursos afetados e diz manter seu compromisso de longo prazo com as duas regiões. Uma nova atualização sobre a infraestrutura do Bahrein está prevista somente para o início de 2027.
Uma zona não é a mesma coisa que uma região
A AWS divide sua infraestrutura mundial em regiões geográficas. Cada região normalmente reúne diferentes zonas de disponibilidade, formadas por um ou mais data centers com energia, refrigeração e conexões próprias.
Essa separação procura impedir que um defeito localizado derrube todos os sistemas de uma região. Uma aplicação pode manter servidores e cópias dos dados em duas ou três zonas, continuando a funcionar quando apenas uma delas apresenta problemas.
Essa arquitetura, porém, não equivale a uma cópia mantida em outra parte do mundo. As zonas de uma região continuam relativamente próximas para oferecer conexões rápidas e podem ser afetadas pelo mesmo conflito, desastre natural ou interrupção de longa duração.
No Bahrein, os ataques sucessivos alcançaram instalações diferentes. A destruição correlacionada retirou a premissa central da configuração de múltiplas zonas: a existência de pelo menos uma estrutura fisicamente preservada dentro da região.
Caso oferece alerta além do Oriente Médio
Um provedor de grande porte pode oferecer equipamentos redundantes, equipes especializadas e instalações robustas, mas não consegue transformar uma única região em uma infraestrutura indestrutível.
Organizações que usam AWS ou outros provedores devem conferir se seus planos de continuidade abrangem a perda de uma região inteira. Também precisam avaliar se os contratos, as ferramentas de cópia e as políticas internas correspondem ao nível de risco de cada sistema.
A destruição dos data centers no Golfo representa uma situação extrema, mas torna concreto um princípio conhecido da segurança da informação: disponibilidade e backup são proteções diferentes. Distribuir um serviço entre máquinas próximas ajuda contra defeitos comuns; preservar seus dados diante de um desastre regional exige cópias independentes e recuperação testada.
Fontes e referências
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AWS registra a indisponibilidade das regiões afetadas O painel oficial reúne as atualizações da empresa sobre os recursos inacessíveis, a suspensão das cobranças e o trabalho de recuperação da infraestrutura. health.aws.amazon.com Acessar fonte ↗
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Wired analisa a perda definitiva de informações A cobertura contextualiza o episódio como um caso de perda permanente de dados e explica as limitações encontradas durante a recuperação. reuters.com Acessar fonte ↗




