A Bitget suspendeu os saques após um ataque que desviou aproximadamente US$ 351,6 milhões de sua infraestrutura de carteiras de criptomoedas. As primeiras transferências não autorizadas foram detectadas às 15h31 de Brasília de quinta-feira, 24 de setembro de 2026. Na manhã desta sexta-feira, a plataforma mantinha depósitos e negociações disponíveis, mas continuava impedindo a retirada de ativos.
A empresa afirma que cobrirá integralmente o prejuízo com seu fundo de proteção, avaliado por ela em mais de US$ 464 milhões. A interrupção dos saques acompanha uma revisão dos sistemas utilizados para movimentar os recursos: a corretora precisa identificar e corrigir o caminho explorado antes de reabrir as transferências.
O caso ganhou um detalhe importante durante a investigação. Segundo a presidente-executiva Gracy Chen, os criminosos comprometeram um sistema interno do serviço de carteiras, falsificaram dados de transações e acionaram o processo de autorização para enviar os ativos a outros endereços. A empresa afirma ter descartado o vazamento das chaves privadas, embora a forma de entrada dos invasores continue sob análise.
Ataque atingiu o processo que autoriza a saída dos ativos
As chaves privadas são os elementos criptográficos usados para assinar transações. Em uma conta controlada por esse tipo de chave, a assinatura permite à rede verificar a autorização para movimentar os ativos. O controle sobre a chave, portanto, ocupa uma posição central na segurança de uma carteira.
A descrição da Bitget aponta para um comprometimento em outra parte desse processo: o sistema que prepara e encaminha as solicitações de transferência. Se dados fraudulentos chegam ao mecanismo de assinatura e são aprovados, uma operação pode receber uma assinatura válida mesmo tendo origem em uma invasão.
Essa é a implicação técnica do relato da empresa. A proteção das chaves precisa funcionar em conjunto com a verificação do destinatário, do valor e da legitimidade de cada solicitação. No caso investigado, os criminosos teriam conseguido transformar informações falsas em ordens executadas pela própria infraestrutura da corretora.
A Bitget utiliza uma arquitetura dividida em carteiras quentes, intermediárias e frias. As primeiras participam mais diretamente da operação conectada e da movimentação cotidiana; as frias mantêm o material necessário à autorização em ambientes isolados da conexão contínua. A companhia afirma que o comprometimento ficou restrito a parte das camadas quente e intermediária, preservando as carteiras frias.
As transferências envolveram diferentes redes, entre elas Ethereum, XRP Ledger, Arbitrum, Avalanche, Optimism, BSC e Base. A diversidade de ativos e blockchains amplia o trabalho de rastreamento, que está sendo conduzido com autoridades, empresas de análise de transações e especialistas da Mandiant e da SlowMist.
O aplicativo Bitget Wallet, voltado à autocustódia, ficou fora do incidente, segundo a empresa. Apesar da marca compartilhada, ele utiliza uma infraestrutura independente daquela empregada pela corretora para administrar os ativos de seus clientes.
Fundo cobre o prejuízo anunciado, mas saques continuam bloqueados
A página oficial do fundo de proteção apresenta uma reserva de 5.500 bitcoins. O mecanismo é administrado pela Bitget para responder a incidentes que afetem a plataforma, e a própria empresa estabelece as condições de cobertura e analisa as solicitações.
Tomando os US$ 464 milhões divulgados como referência, o prejuízo estimado corresponde a aproximadamente 76% desse valor. É uma parcela expressiva da reserva anunciada. Como o fundo é mantido em bitcoins, sua avaliação em dólares também varia com a cotação do ativo.
A promessa de absorver as perdas e a suspensão das retiradas tratam de problemas diferentes. A primeira diz respeito aos recursos usados para cobrir o desvio; a segunda, à segurança operacional necessária para voltar a transferir ativos. Os clientes continuam expostos à indisponibilidade do serviço enquanto essa segunda etapa permanece aberta.
A interrupção também evidencia a função exercida pela corretora na custódia. Mesmo quando o saldo aparece corretamente na conta, a transferência para outro endereço passa pelos sistemas administrados pela plataforma. O acesso efetivo aos ativos fica condicionado ao funcionamento desses sistemas.
No comunicado em português, a Bitget informou que publicará um relatório com a causa do incidente e as medidas corretivas em até 24 horas após o restabelecimento dos saques. A empresa também avisou que o aumento das consultas elevou o tempo de espera do atendimento por chat.
Investigação considera participação norte-coreana
Chen apontou semelhanças entre o ataque e operações de grupos norte-coreanos, com base em padrões de conexão e na movimentação dos ativos. Essa atribuição permanece uma avaliação da empresa; a investigação pública ainda não apresentou uma conclusão independente sobre os responsáveis.
O antecedente mais expressivo é o ataque à Bybit, que perdeu cerca de US$ 1,5 bilhão em fevereiro de 2025. Naquele caso, o FBI atribuiu a operação à Coreia do Norte e descreveu a conversão dos valores em diferentes criptomoedas, seguida da distribuição por milhares de endereços.
Esse histórico mostra a dificuldade de recuperar os recursos depois que deixam a instituição atingida. Os registros públicos ajudam a acompanhar os deslocamentos, mas a dispersão entre ativos, endereços e serviços exige coordenação entre investigadores e empresas capazes de bloquear movimentações em seus próprios sistemas.
Na Bitget, a investigação precisa esclarecer como os invasores alcançaram o sistema interno e por que as transações falsas passaram pelo processo de autorização. O relatório prometido terá de explicar essa sequência de falhas, além de documentar as mudanças realizadas antes da reabertura dos saques.
Fontes e referências
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Bitget — comunicado oficial sobre o incidente Confirma horário, valor estimado, camadas afetadas e situação dos serviços bitget.com Acessar fonte ↗
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Gulf News — atualização sobre o sistema de autorização Registra a declaração de Gracy Chen sobre manipulação das transações e ausência de vazamento de chaves privadas, segundo a empresa gulfnews.com Acessar fonte ↗
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Ethereum.org — contas, chaves e assinaturas Fundamenta a explicação sobre o papel das chaves privadas na autorização de transações. ethereum.org Acessar fonte ↗
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BleepingComputer — extensão do ataque e investigação Relaciona as redes atingidas, os especialistas envolvidos e a situação do aplicativo Bitget Wallet bleepingcomputer.com Acessar fonte ↗




